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Estudo traz dados sobre consumo de tabaco na pandemia

Pesquisa realizada na Unoeste tem apoio da Fapesp e reforça a importância de programas especializados para tratamento do tabagismo.

Thomas Hessel - Palmas, TO

12/04/2021

| Atualizado em

13/04/2021

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Estudo traz dados sobre consumo de tabaco na pandemia

Presidente Prudente, SP - Será que a pandemia da Covid-19 alterou o perfil do consumidor de tabaco e derivados, como cigarrilhas, narguilé, entre outros? Esse é o questionamento da pesquisa realizada na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), envolvendo os cursos de Fisioterapia e Medicina dos campi de Presidente Prudente e Guarujá. Apesar de o tabagismo ser fator de risco para infecção e complicações da Covid-19, dentre os resultados do estudo estão: 44,26% reportaram aumento do consumo e a pandemia não foi um fator decisivo para os entrevistados abandonar o cigarro. Constatações que reforçam a importância de programas especializados para tratamento do tabagismo, assim como o já realizado na universidade.

Em razão da relevância do tema, a acadêmica da Fisioterapia Bruna Aparecida Santos Medina, do 7º termo, foi contemplada pela bolsa de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para dar continuidade ao estudo “Influência da pandemia da covid-19 no nível de dependência à nicotina e nos hábitos de consumo de tabaco e derivados”. Pela Fisioterapia, também estão à frente as professoras doutoras Ana Paula Coelho Figueira Freire (coordenadora do projeto) e Francis Lopes Pacagnelli; e pela Medicina estão as doutoras Margaret Assad Cavalcante (campus Prudente) e Marceli Rocha Leite (Guarujá).

A aluna pesquisadora salienta que a Covid-19 é um tema novo, ainda com poucos estudos e conhecimento sobre seu impacto na sociedade. “Através disso, buscamos saber como a pandemia está afetando hábitos tabagísticos, como aumento no consumo e nível de dependência à nicotina. O intuito foi conhecer o comportamento do tabagista mediante a atual situação e se esses indivíduos possuem algum conhecimento sobre suas complicações para a doença, fortalecendo a cessação do tabaco e desenvolvendo medidas de prevenção da Covid”, explica Bruna.

 

Pesquisa e resultados

De acordo com a professora que coordena o projeto, a equipe analisou, por meios quantitativos e qualitativos, como está o perfil de consumo de tabaco e derivados como cigarrilhas, narguilé, etc., assim como avaliou a motivação para cessação do tabagismo no período de pandemia. “As análises quantitativas foram realizadas por meio de formulários eletrônicos com diversos questionamentos sobre os hábitos de fumar antes e durante a pandemia. Já a análise qualitativa foi realizada por meio de um grupo focal remoto (por meio de Google Meet), explica a Dra. Ana Paula”.

Foram mais de 136 pessoas entrevistadas. Os achados principais da pesquisa apontam que o consumo diário de cigarros e derivados não foi alterado durante a pandemia: 55,74% reportaram que reduziram ou mantiveram seu consumo; e 44,26% relataram aumento no consumo. “Também identificamos que a pandemia não aumentou a motivação para cessação do tabaco, sendo que 59,84% reportaram estar com a mesma motivação para cessação quando comparado aos períodos pré-pandemia. Ainda foi identificado que as fissuras (vontade extrema de fumar) não sofreram alterações para maior parte dos participantes (53,28%)”.

A professora conta que também foram realizadas as análises de correlação (associação) e foi observado que indivíduos com mais anos de fumo e índices mais graves de dependências são os que estão mais motivados a parar de fumar. Com os dados, a Dra. Ana Paula reforça a necessidade de ampliar o acesso a programas especializados para tratamento do tabagismo, assim como o realizado na Unoeste, que neste semestre ocorre no formato on-line.

Os próximos passos do projeto são a finalização das análises qualitativas, a formulação de dois artigos científicos e a submissão destes artigos para revistas científicas internacionais.

 

Fomento à pesquisa

Bruna foi contemplada com a bolsa Fapesp no valor de R$ 695,70, durante o período de vigência do projeto. A professora que coordena a pesquisa destaca que o apoio financeiro é essencial por várias razões. “Primeiro podemos citar o estímulo ao acadêmico de iniciação científica, que pode se dedicar mais tempo ao projeto. Depois por permitir que o acadêmico participe de eventos científicos, faça treinamentos técnicos e adquira recursos para a pesquisa. Além disso, a contemplação de bolsa Fapesp para o acadêmico de graduação é um importante diferencial no currículo para processos seletivos de residências, especializações e mestrado”.

Bruna, que está no 7º termo, conta que essa é a segunda vez que conquista uma bolsa de fomento. Destaca ainda que os professores incentivam a iniciação científica desde o início do curso. “Em três anos de graduação (2018-2020) participei de três iniciações, sendo uma delas bolsista em 2019 através do Probic [Programa de Bolsas de Iniciação Científica]”, relembra.

A futura fisioterapeuta afirma ainda que desenvolver estudos científicos é extremamente importante na vida acadêmica. “Participar desde o início da graduação foi um desenvolvimento pessoal e profissional, pois a experiência que conquistei é uma bagagem enorme para a construção do currículo e melhora da atuação profissional. Além de ser uma preparação para hoje desenvolver a minha pesquisa e conseguir a bolsa Fapesp”, relata.

 

Fisioterapia Unoeste

A estudante compartilha que o curso de Fisioterapia da Unoeste lhe surpreendeu de forma positiva desde o primeiro dia de aula. “A estrutura da universidade favorece o conhecimento, pois os recursos oferecidos são os melhores e nos preparam para o estágio e vida profissional. O mesmo posso dizer do corpo docente, que é extremamente capacitado, não somente para ensinar o conteúdo da matéria, mas também para desenvolver um profissional humano, que olhe o paciente como um todo”.

Na reta final da graduação, Bruna lembra que pôde vivenciar várias áreas da fisioterapia através das extensões, “como a reabilitação equestre, aquática, saúde coletiva, hospitalar, monitorias, ligas acadêmicas e até mesmo apresentar o curso na feira de profissões que antes visitei como vestibulanda. Isso, junto com a iniciação cientifica, abre portas para novas oportunidades e melhora muito a nossa futura atuação profissional”, finaliza.

 

Vestibular

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